quarta-feira, 9 de abril de 2014

CONCURSO MISS PAUFERRENSE 2014


CONDIÇÕES DE INSCRIÇÃO NO CONCURSO 

MISS pauferrense

Este termo contém as regras que deverão ser observadas pelas candidatas interessadas em participar do Concurso MISS PAUFERRENSE 2014, as quais deverão ser lidas e aceitas pelas candidatas antes do ato da inscrição para participação no concurso. Ao aceitar esse termo, a candidata entende e está de acordo com o seguinte:

a. A inscrição, por si só, não garante à interessada sua classificação para as demais etapas da seleção e nem lhe confere o direito de pleitear sua participação no concurso MISS RN 2014, não lhe cabendo qualquer tipo de reivindicação, no caso de não ser selecionada ou ser desclassificada durante a seleção.

b. A candidata autoriza a inclusão, nas mídias digitais e de comunicação, de sua imagem, textos, biografias e demais materiais de divulgação, sem limitação de prazo, com o fim de difundir o concurso em todo o território nacional.

c. A organização do concurso reserva-se o direito de, a qualquer momento, excluir do certame a candidata que não observar as disposições do presente regulamento e/ou contrariar as normas o concurso.

d. As candidatas isentam, desde já, a Secretaria de Cultura e Turismo (SECULT) de qualquer responsabilidade sobre promessas não cumpridas, feitas por terceiros, durante o concurso.

e. Os casos omissos neste regulamento, ou não esclarecidos, serão resolvidos pela coordenação do concurso, sendo a decisão soberana e irrecorrível.

f. Havendo suspensão do concurso, não será devida qualquer indenização às participantes, podendo a organização do concurso dar prosseguimento aos serviços tão logo haja solucionado o problema, de forma que não haverá alteração na execução da presente seleção.

g. As interessadas deverão seguir as instruções contidas neste Regulamento, declarando, desde já, que entenderam e aceitam todos os seus termos.

Regulamento do Concurso:

As inscrições do concurso Miss Pauferrense serão de 09 á 24 de Abril de 2014 na sede da Secretaria de Cultura e Turismo (SECULT) e a escolha acontecerá dia 29 de abril de 2014 ás 19h no Kandice Buffet.

REQUISITOS:

· Idade entre 18 e 23 anos;

· Medir acima de 1,68 de altura;

· Apresentar boa postura e fotogenia; 


· Usar traje de acordo com regulamento;

TRAJE:

1ª entrada: Vestido Cocktail Dress e sandália preta com salto (da própria candidata ou patrocinado por alguma empresa).

2ª entrada: Maiô preto e sandália preta com salto.

ENSAIO: 

O ensaio geral será dia 24 de abril ás 19h na Associação Beneficente Joana Mirim (ABJOM).

DOS QUESITOS DE JULGAMENTO:

Serão julgados os quesitos de: Beleza, Simpatia, Plástica, Elegância e Postura. As notas serão de 5 a 10 e não podem ser fracionadas. 

CONDIÇÕES GERAIS:

Uma vez feita à inscrição pela candidata automaticamente concorda-se com o regulamento. Os casos omissos serão resolvidos pela coordenação do evento. Maiores informações (84) 3351-4794 ou (84) 8787-5021.

Pau dos Ferros / RN, 09 de Abril de 2014.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

50 ANOS DO GOLPE MILITAR - Pau dos ferros

 

Na semana que passou os meios de comunicação não falaram em outra coisa a não ser sobre o golpe militar e a instalação da ditadura no Brasil.

A partir de 31 de março de 1964, o país mergulhou num longo período de incertezas, injustiças e arrogância. O que pouca gente sabe é que a maioria da população civil apoiou o golpe no primeiro momento. João Goulart havia tomado algumas medidas que desagradaram aos grandes latifundiários, entre elas a implantação da reforma agrária, mal vista como sempre foi.

Com a instalação do regime militar, seguiram-se prisões arbitrárias, tortura de inocentes, reações violentas por parte de alguns grupos "politizados ". Seguimos nesse ritmo por 21 anos até 1985, com a chegada da democracia.

Acho que a escola deve rever os autores e a forma como repassam a questão "ditadura", pois é, a meu ver, uma visão muito mistificada.

Em pau dos Ferros, ocorreram cassações políticas, transferência de funcionários públicos, militares, professores e quem quer que se manifestasse de forma contrária ao regime. A polícia militar cometeu muitos abusos, batendo sempre antes de perguntar. havia até a famigerada CORREIÇÃO, que prendia Gays e prostitutas, proibidos de transitar pelo centro da cidade, principalmente aos sábados. Volto com o tema!!

Vianney

“A criação bovina em uma propriedade rural é abençoada”!





Por Licurgo Nunes Quarto 



Essa frase é familiar, corriqueira e muito pronunciada por todos aqueles que lidam com a atividade do campo.

O gado prospera com muita rapidez, bem como é, entre todos os valores agregados da atividade agropecuária, o de melhor e mais rápida liquidez. Na hora do “aperreio”, de uma necessidade maior, de um “aperto” – do pequeno ao grande agropecuarista - é vendendo os bois ou vacas que se consegue, rapidamente, auferir um apurado financeiro e enfrentar qualquer despesa que se vislumbre.

Já vi um curral repleto de vacas ser todo vendido – dizimado - deixando-se, apenas, um exemplar como semente, e, dessa unidade remanescente restabelecer, em poucos anos, uma quantidade expressiva de “cabeças de gado”.

Seca terrível de 1958; região do Alto Oeste Potiguar – a exemplo de todo o Estado - sob decreto de “estado de calamidade”. Proprietários rurais liberando os seus operários para as “frentes de trabalhos” - um programa do governo federal que consistia em empregar a mão de obra ociosa do campo em serviços de manutenção de estradas, ou mesmo na construção de pequenos açudes.

Fazenda Galeão já com pouco pasto, água escassa, com o gado tendo que percorrer uma distância considerável para matar a sede, e, não muito raro – devido à desnutrição – uma ou outra rês, não resistia, vindo a morrer. Foi o que aconteceu com uma vaca que acabara de parir uma bezerra. Muito magra, esquelética, não resistiu ao esforço desprendido durante o parto, morreu, tendo, contudo, a sua respectiva cria sido preservada. Magrinha e órfã, e com apenas um dia de vida, tendia a morrer também. Montou-se, então, uma “operação de guerra” para salvar – manter viva - referida cria.

Providenciou-se a aquisição de mamadeira para alimentá-la com leite; reservou-se um espaço no quintal da casa grande para que ficasse bem acomodada e isolada dos animais maiores, bem como, sob a orientação de Joaquim Osório - Veterinário prático que prestava assistência ao rebanho da fazenda – adquiriu-se complexo vitamínico e toda medicação necessária para auxiliar na recuperação do pequeno e raquítico animal.

Maria Vieira, esposa do João Silvestre, gerente da propriedade, percebendo que o trabalho todo para salvar a bezerra ia ser dela, haja vista que hodiernamente essa tarefa de tratar de animais órfãos ou “enjeitados” - em uma fazenda - ficava sempre aos cuidados da caseira, e após ouvir todas as recomendações de como deveria proceder na tarefa que lhe estava sendo atribuída – com o horário determinado para alimentação, medicação, etc. - dirige-se ao proprietário, dizendo:

“Compadre Licurgo, essa bichinha não tem jeito não. Magrinha e fraquinha como ela está, vai morrer logo!”

No que o proprietário, num lance aguçado de inteligência e perspicácia, e para que não tivesse o prejuízo total, respondeu:

“Comadre Maria, vamos fazer o seguinte: cuide bem dessa bezerrinha, não deixe que ela morra, que a primeira cria dela eu lhe dou de presente”!

Foi o suficiente para que a comadre passasse a cuidar com todo esmero do pequeno animal, tratando-o “na palma da mão”, na esperança de vê-lo crescer, tornar-se adulto forte e saudável, “amojar” , parir, e, consequentemente, ganhar de presente a cria.

E, para a sorte da “tratadora”, a primeira cria foi uma fêmea, e, conforme prometido, foi-lhe dada de presente.

Corroborando com o preceito enunciado anteriormente de que “a criação bovina é mesmo abençoada”, desse presente – que a principio parecia sem maiores perspectivas - a Maria Vieira formou um rebanho bovino bem expressivo.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Grupo Escolar Joaquim Correia

       

      

Caros pau-ferrenses, segundo nos conta a história, diversas famílias de Pau dos Ferros , alguns filhos ausentes desta amada terra e o livro de Dr. José Edimilson de Holanda( Crônicas, Fatos e pessoas – Vol. II), O extinto Grupo Escolar Joaquim Correia foi a nossa “Universidade do Passado”, assim o diga também o Padre Sátiro Dantas. O Grupo Escolar Joaquim Correia, foi a primeira Escola pública construída em Pau dos Ferros pela Prefeitura, na administração do Coronel Joaquim Correia, intendente no nosso município. A obra foi concluída e inaugurada em 1911. Devido os recursos escassos da prefeitura, para poder concluir essa importante obra, O prefeito Joaquim Correia, fez uma campanha na comunidade, andando de casa em casa, angariando recursos para terminar a obra. É sabido por grande parte do nosso povo, que nesse Prédio histórico, funcionou por sessão por tempo determinado, por parceria ou por acordo de cooperação técnica com o Governo do Estado do RN, diversas ações como : A escola Normal Rural em 1950, o Colégio Normal de Pau dos Ferros a partir dos anos 60, Depois o Grupo escolar Joaquim Correia, nos anos 80 o Campus Avançado de Pau dos Ferros, Bem depois, o Centro Cultural Pau-Ferrense e por último a Casa de Cultura Popular, como um programa do Governo do RN. Isso não significa que aquele prédio é do Estado, que de até o ano de 2013, a cidade é testemunha de como ficou sua estrutura física. Quero aqui externar, meus conterrâneos e demais amigos e amigas, que O Centro Cultural Joaquim Correia, é Patrimônio do Município de Pau dos Ferros. Foi construído com recursos do nossos munícipes. Precisamos tombá-lo como Patrimônio Histórico da nossa Cidade. O nosso Centro Cultural precisa retomar suas atividades, pois a Biblioteca Municipal e as Oficinas de Cultura e de Artes, precisam funcionar. Todos que fazemos a administração municipal de cultura e como um todo, precisamos do apoio e das declarações de todos que conhecem essa história. Paz e luz, meu povo!!!






Por Marta Pontes

quarta-feira, 2 de abril de 2014

10ª Copa Pauferrense de Ciclismo


          Grande Evento  a 10ª Copa de Ciclismo as imagens do Fotografo Franskin Leite















domingo, 30 de março de 2014

DA SÉRIE: CURIOSIDADES SOBRE AS "TRÊS MARIAS DA BARRAGEM" - A VIDA ADULTA (FINAL DA SÉRIE)

 Parte de trás da casa do senhor Chico Capote, ambiente utilizado pelas “Três Marias da Barragem” todas as noites de terça-feira. Fonte: Arquivo pessoal de Maria Clara Almeida Melo. 22 de janeiro de 2013.



Ao terminar o culto, elas não voltam para casa imediatamente, permanecendo na cidade durante parte da madrugada, como Ene nos conta:

Elas vão pra casa do Senhor Chico Capote; tem um murinho lá, elas chegam, entram, dormem em baixo de uma pia. [...] Desde que elas começaram a andar por aqui que elas vão dormir lá. [...] Quando é duas horas da manhã elas tiram pro sítio de novo.[1]

Esta imagem nos proporciona uma visão incrível sobre a utilização dos espaços inabitáveis, costumeiramente, mas que na visão das “Três Marias da Barragem” parecem naturalmente confortáveis e seguros. Uma mesa de madeira, uma cadeira velha e pias de lavar roupas; um lugar comum, próprio para atividades corriqueiras, mas que é adaptado, taticamente, pelas “Três Marias da Barragem” :

A tática não tem por lugar senão o do outro. E por isso deve jogar com o terreno que lhe é imposto tal como organiza a lei de uma força estranha. Não tem meios para se manter em si mesma, à distância, numa posição recuada, de previsão e de convocação própria: a tática é movimento “dentro do campo de visão do inimigo”, como diz von Büllow, e no espaço por ele controlado. Ela não tem, portanto a possibilidade de dar a si mesma um projeto global nem de totalizar o adversário num espaço distinto, visível e objetivável. [2]

Isso quer dizer que, por mais que as “Três Marias da Barragem” se isolem do Outro, trate-os como “inimigo”, no sentido de se colocar como diferente e de se distanciar das pessoas que compõem a sociedade em geral, elas precisam desse Outro até para se excluírem, ou seja, o espaço produzido e habitado pelos estrangeiros, aos olhos delas, também pode ser utilizado por elas, porém, com outros usos. Neste caso da foto, por exemplo, utilizam esta área da casa que não é habitada à noite, para que seja uma espécie de quarto, onde elas dormem – em baixo da mesa e próximo às pias (onde podemos observar os lençóis nos chão) – e se protegem do frio e das armadilhas da madrugada.

  Estudar, então, a vida destas três mulheres é ter no pioneirismo de um trabalho os desafios que o cercam, tornando o conhecimento adquirido bem mais significativo. É perceber o quanto nossa sociedade é heterogênea, com hábitos adquiridos por meio das experiências cotidianas, gerando identidades culturais diversificadas, que só enriquecem o convívio social. E, além de tudo isso, é entrar em contato com os discursos daqueles que tiveram algum tipo de relação com as “Três Marias da Barragem”, possibilitando a problematização dessas memórias. Memórias estas que Le Goff [3] define como conjuntos de lembranças absorvidas através das vivências e do foi que dito sobre essas vivências, de modo que estes conjuntos são compostos por recortes feitos pela mente de acordo com o que ela julga ser importante para ser mantido. Então, as opiniões expressas a respeito das “Três Marias da Barragem”, bem como a maneira na qual os acontecimentos que as envolveram ocorreram, foram primordiais para traçar um perfil bibliográfico desmistificador, respondendo indagações e instigando a busca por mais informações sobre tudo que remeta a essas mulheres.
Trabalhar com as memórias é algo delicado, porém prazeroso e indispensável, afinal, como diz Antonio Brasileiro:
Um dia, tudo será memória. As pessoas que andam naquela rua, as gentis, as sábias, as más, todas, todas serão memória; o mendigo que passa sem o cão, o ginasta, a mãe, o bobo, o cético, a turista, Deus, inclusive, regendo o fim das coisas memoráveis, também será memória. Deus e os pardais. Os grandes esqueletos do museu britânico e todo sofrimento serão memória. Eu, sentado aqui, serei só esses versos que dizem haver um eu sentado aqui.[4]

Portanto, faço da biografia problematizada das “Três Marias da Barragem”, fruto das memórias de alguns pauferrenses, também memória, afinal, a História e a Memória estão intrinsecamente ligadas, tornando a História uma Arte: a arte de reviver, rememorar e reescrever.

Vanêssa Freitas



[1] PINHEIRO, Ene Moreira. Entrevista concedida a autora. Pau dos Ferros/RN, 8 de jul. de 2013.
[2] CERTEAU, Michel de. Artes de fazer: A invenção do cotidiano. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1998. p 100.

[3] LE GOFF, Jacques. Documento/Monumento. In: ______. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão, et all. 2. ed. Campinas: UNICAMP, 1992. p. 525 – 539.
[4] BRASILEIRO, Antonio. Um dia tudo será memória. Disponível em: http://tvcultura.cmais.com.br/provocacoes/poemas-e-textos/pgm-636-um-dia-tudo-sera-memoria-29-10-2013.1 Acessado em 05 de dez. de 2013, às 7h.

sábado, 29 de março de 2014

DA SÉRIE: CURIOSIDADES SOBRE AS "TRÊS MARIAS DA BARRAGEM" - A VIDA ADULTA (PARTE III)

Em contrapartida a este comportamento tão identitário, tão próprio e peculiar, as três irmãs foram influenciadas por um de seus irmãos, o José, que por freqüentar a Igreja Mundial do Poder de Deus, conseguiu convencê-las de que lá seria um ambiente agradável para elas freqüentarem:

Com esse movimento todinho que não queriam ver gente, o José, irmão delas conseguiu convencer e trazer elas pra Igreja, e elas vem toda terça-feira, religiosamente. Elas vinham na sexta-feira, mas deixaram pra vir na terça porque é o dia que tem a reunião da Igreja. [...] Eles fizeram uma lavagem cerebral na cabeça delas e elas são apaixonadas e vem toda terça-feira[1].

O fato das três mulheres romperem com esse estigma de não se aproximar, fisicamente, das pessoas já é bastante interessante, porém, saber que elas passaram a frequentar uma Igreja evangélica torna a pesquisa bem mais instigante, afinal, quando crianças, elas não quiseram se confessar com o Padre por ser uma figura masculina, e também, por não demonstrarem muita crença (ou crença alguma) nas orações da Igreja Católica.[2] Além disso, já depois de adultas, rejeitaram a presença do Padre quando uma das donas das casas que elas pedem mantimentos o convidou para conhecê-las e tentar ajudá-las:

Mamãe com que trouxe Padre Francisco aqui, porque queria fazer por onde ajudar a elas a terem documentos pra aposentá-las. E ai, um dia ela conversou com o Padre Francisco, ai ele disse que não conhecia as três e que tinha muita vontade de conhecer, porque muita gente já tinha falado delas. Ai mamãe disse que nas terças-feiras, de 6h30min às 7h da noite elas estão passando aqui. Aí o padre veio e ficou esperando [...] Quando elas foram chegando ai mamãe falou que o padre quer conhecer vocês. Ai pronto assustou elas; foram embora. Isso já faz uns sete anos, mais ou menos. [3]


Então, participar de reuniões religiosas, tendo como líder um Pastor, ou seja, uma figura masculina, já demonstra a mudança comportamental e crédula destas mulheres, que antes diziam que não precisava rezar[4] e agora afirmam que “Deus é quem cura”.[5]
Assim, todas as terças-feiras elas se deslocam a pé do Sítio Alencar à cidade de Pau dos Ferros; “elas saem de casa de tarde, pra chegarem aqui [cidade] já à noite, pra não andar na rua de dia.” [6] Como são pedintes, fazem o mesmo percurso, sempre, passando nas casas de alguns conhecidos, pessoas que elas já estabeleceram um certo vínculo, para pedir mantimentos e, em cada casa se repete o mesmo pedido há muitos anos, como conta Regilma Freitas:
Elas passam aqui há muito tempo, há uns dez anos que elas frequentam aqui em casa. No início elas tinham medo do claro, só ficavam no escuro; passavam ali, entravam ali no beco e iam lá pra traz, ficavam numa casinha que tem ali atrás, no escuro. [...] Depois elas foram se acostumando com a gente e já entram em casa do jeito que ta aqui, no claro, há uns quatro anos mais ou menos. [...] Elas pedem massa de milho, açúcar, café e sabão, são as coisas que elas mais pedem. [...] Elas trazem ovos caipira pra trocar com açúcar ou outra coisa. [...] Tem uma que conversa mais que as outras. [...] A passagem delas é rápida: elas entram, vão ali à cozinha; o que tiver elas pedem, mas se não tiver também o que elas querem vão embora. Cada uma quer o seu separado, porque se eu der o açúcar pra uma, ai ela já fala pra outra “olhe que ela me deu”. Mas às vezes eu não dou igual, dou a massa de milho pra uma, o açúcar pra outra e o sabão pra outras e mando elas dividirem, ai elas botam cada uma em sua sacola e vão embora. [7]

Foto 2: As “Três Marias da Barragem” caminhando pelas ruas de Pau dos Ferros/RN. Fonte: Blog Nossa Pau dos Ferros.

Nesta foto fica visível a maneira que elas se vestem, com roupas pretas, sempre com toalhas ou lençóis, de qualquer cor ou estampa, agregados à roupa para cobrirem os rostos; caminham por ruas escuras e com pouca movimentação, para não serem notadas (à exceção da avenida principal da cidade), sempre juntas.
Estas andanças, trajetórias traçadas e seguidas rotineiramente, nos remetem à conceituação dos espaços, da maneira ue as ruas, veilas e calçadas são exploradas por estas mulheres. Assim sendo, Certeau diz que:

Os lugares são histórias fragmentadas e isoladas em si, dos passados roubados à legilibilidade por outro, tempos empilhados que podem se desdobrar, mas que estão ali antes com histórias à espera e permanecem no estado de quebra-cabeças, enigmas, enfim, simbolizações conquistadas na dor ou no prazer do corpo. [8]


Após esta rotineira passagem pela cidade, o destino é a Igreja. Então, buscamos conversar com o Pastor Veranilton Azevedo, da Igreja Mundial do Poder de Deus para saber como elas se comportam neste ambiente público:

Houve até uma surpresa pra nós, porque quando observamos toda Igreja, notamos que tinha três pessoas unidas e, até então, elas utilizam lençol pra se cobrir. Isso até despertou a nossa atenção, porque não é de costume a gente ver pessoas com esse comportamento. [...] pra muitos foi uma surpresa, porque elas não são de estar na sociedade, são pessoas que se isolam e, foi uma surpresa para toda a Igreja. Teve até um dia que tiver que chamar atenção de algumas pessoas, porque as pessoas não paravam de olhar pra elas e isso foi criando nelas um constrangimento; então pedimos ao corpo de obreiros pra orientar essas pessoas, pra não ficarem olhando, porque elas são pessoas como nós, porém, com seu modo de cultura.

Nesse sentido, é praticamente impossível falar de seres marginalizados sem mencionar a questão do pré-conceito, bem exposto por Duval Muniz [9] como um conceito prévio, uma descrição sem qualquer esforço para entender e conhecer o outro; nesse sentido, se encaixam os diferentes olhares sem conhecimento apropriado da sociedade pauferrense lançados sob as reações provocadas pelas “Três Marias da Barragem” a partir do comportamento diferenciado dessas mulheres.

Elas não são pessoas de conversar muito, são pessoas que são na delas, caladas, então até pra você ter um diálogo com elas, você tem dificuldade. [...] Elas vêm, assistem a reunião, nós não interferimos ou forçamos elas a dialogar, conversar com as pessoas; simplesmente as deixamos à vontade. [...] Porque se elas vêm pra cá, que é uma raridade estarem em publico [...] isso só pode ser Deus que colocou no coração delas o desejo de participar. [...] Durante as reuniões elas ficam paradas, caladas, mas elas ouvem [...], elas participam, mas é do jeito delas. [...] Toda reunião elas sentam naquele mesmo local, é tanto que nós já aprendemos isso e quando senta alguém nas cadeiras que elas sentam, nós pedimos educadamente, que ceda aquele lugar, que é como se elas não sentassem ali era fossem um peixe fora d’agua. [10]


Freqüentar esta Igreja tem mudado bastante o pensamento destas “Marias”, pois além de passarem a ter fé, elas disseminam essa crença por onde passam, buscando atrair pessoas que elas conhecem para a Igreja:

Agora, depois que mamãe adoeceu, elas sempre perguntam se ela ta bem e mandam que eu leve elas pra Igreja Mundial; elas freqüentam a Igreja Mundial, ai tem uma que diz “mulher, leve sua mãe pra Igreja Mundial que ela vai ficar boazinha”. Sempre, sempre elas dizem. [11]


Esta relação que elas fazem entre a cura e a Igreja, está ligada à reunião que elas freqüentam nas terças-feiras na Igreja Mundial do Poder de Deus, que é a noite da cura, noites estas que elas não faltam na Igreja:

Elas são pessoas que não faltam. Toda terça-feira nós temos uma reunião chamada de “O milagre Urgente”, onde oramos forte, clamamos e pessoas realmente se curaram; testemunhos são dados e, talvez pelos testemunhos elas tenham sentido tocadas por Deus e elas não têm faltado. [12]

Vanêssa Freitas


[1] PINHEIRO, Ene Moreira. Entrevista concedida a autora. Encanto/RN, 8 de jul. de 2013.
[2] FERNANDES, Maria Margarida de Paiva. Entrevista concedida a autora. Encanto/RN, 17 de ago. de 2013.
[3] FREITAS, Maria Regilma de. Entrevista concedida à autora. Pau dos Ferros/RN, 23 de nov. de 2013.
[4] FERNANDES, Maria Margarida de Paiva. Entrevista concedida a autora. Encanto/RN, 17 de ago. de 2013.
[5] PINHEIRO, Ene Moreira. Entrevista concedida a autora. Pau dos Ferros/RN, 8 de jul. de 2013.
[6] PINHEIRO, Ene Moreira. Entrevista concedida a autora. Pau dos Ferros/RN, 8 de jul. de 2013.
[7] FREITAS, Maria Regilma de. Entrevista concedida à autora. Pau dos Ferros/RN, 23 de nov. de 2013.
[8] CERTEAU, Michel de. Artes de fazer: A invenção do cotidiano. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 189.
[9] AZEVEDO, Veranilton. Entrevista concedida à autora. Pau dos Ferros/RN. 24 de nov. de 2013.
[10] AZEVEDO, Veranilton. Entrevista concedida à autora. Pau dos Ferros/RN. 24 de nov. de 2013.
[11] FREITAS, Maria Regilma de. Entrevista concedida à autora. Pau dos Ferros/RN, 23 de nov. de 2013.
[12] AZEVEDO, Veranilton. Entrevista concedida à autora. Pau dos Ferros/RN. 24 de nov. de 2013.