quarta-feira, 17 de setembro de 2014

VOCÊ POR ACASO JÁ.........


-- Colocou esponja de aço(bombril) na antena de rádio ou da televisão para melhorar a frequência???
--Tentou estancar hemorragias com pó de café??
--Lambeu a lata de leite condensado, mesmo correndo o risco de um corte??
--Passou Cebola ou pimenta nos seios na adolescência para vê-los crescer mais rápido??? rsrsrsrsrsrss
--Acreditava que manga com leite levaria ao óbito??
---Esperava o calor diminuir para depois ir ao banho?? Diziam que entortava a boca kkkkkkk
-- Se cortou com uma Gilette preta???? Aquilo cortava até pensamento....
    Então....Somos da mesma época!!!
                       Vianney

A ESTRANHA VISITA DE JANIS JOPLIN AO PAÍS TROPICAL.

 
Como uma turista qualquer, sem fanfarra e sem divulgação, Janis Joplin visitou o Rio de Janeiro em fevereiro de 1970,meses antes de sua morte.Descrita pela imprensa carta como "Rainha,Deusa e musa dos Hippies", Janis desembarcou no Galeão com plumas roxas na cabeça, pantalonas e blusão florido. Descolou convites para o baile do Teatro municipal, foi expulsa de um camarote fixo, e João Luiz Albuquerque, cobrindo o Baile para a MANCHETE, diz que Janis é feia, muito feia. Queria fazer um show na praça General Osório, em Ipanema para os Hippies, mas acabou se enturmando com os integrantes de uma comunidade no então remotíssimo bairro do recreio dos Bandeirantes e vai com um deles-Um americano veterano da guerra do Vietnã- de carona  para o a Bahia e Cabo Frio, onde sofre um acidente de moto. Encantou-se com os destilados" Made in Brasil", especialmente Fogo Paulista e Creme de ovos. Fez seu único show num inferninho da Rua Prado Junior, no coração da boca do lixo de Copacabana, dividindo o palco com seu fã SERGUEI.  Tú acha????
                             Vianney

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

TELEVISÃO EM PRETO E BRANCO, NOVELAS E AGLOMERAÇÕES

  Na primeira metade da década de 1970, começaram a aparecer timidamente os primeiros aparelhos de tv em Pau dos ferros. Em preto e Branco, Pouquíssimas casas possuíam esse bem, caríssimo na época.
  O eletrodoméstico era ENORME e  dispunha de uma grande quantidade de botões, o maior deles era o de mudar de canal, que por sinal fazia um barulho estranhíssimo. Na minha rua só haviam duas tvs, uma na minha casa e outra na casa de "Baíca". O grande problema é que nossos lares se transformavam em uma espécie de cinema, pois todos os vizinhos queriam assistir, principalmente as novelas. Nas casas onde haviam janelas , as pessoas lotavam e os donos da casa mantinham um certo isolamento. Na minha casa , o pessoal "Emburacava" direto para a sala e ficávamos sem privacidade alguma...isso durou muito tempo. Num determinado período apareceram as famigeradas telas "coloridas" que fixadas ao aparelho faziam da imagem  uma espécie de arco-íris. Outro inconveniente era a inconstância  dos canais, que saíam fora do ar por semanas a fio, de preferência nos finais de novelas...E as antenas se tornavam cada dia mais altas para melhor captar o sinal que vinha de Fortaleza...imaginem. 
  Um detalhe que eu gostaria de deixar evidente é que as crianças não tinham a liberdade de ligar a tv na hora que quisesse como atualmente. Geralmente assistíamos a sessão da tarde e só religávamos à noite para as novelas, que sempre foram uma paixão nacional. Programas inesquecíveis: Filmes de Tarzan, Sítio do Pica-pau amarelo(na época em que Emília era a atriz Reny de oliveira), Programa Flávio Cavalcanti(Adorava as histórias de discos voadores) Buzina do Chacrinha e claro Silvio Santos(Que hoje não tem graça nenhuma). A tv a cores, mesmo estreando em 1973, só chegou por aqui, vários anos depois.
 A propósito.....a primeira novela que assisti foi" Papai Coração" na extinta TV TUPY e "Cinderela 77" com Ronnie Von e Vanusa( aquela do hino nacional).  Beijos e até a próxima !!!!
                             Israel Vianney

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CURIOSIDADES PAU FERRENSES.

 Em 1955, precisamente no mês de outubro, Pau dos Ferros recebeu a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Foi uma recepção calorosa com festividades e manifestações entusiásticas, cujas ressonâncias transcederam as fronteiras regionais, adquirindo uma projeção de largo alcançe social e religioso nos estados vizinhos.
  A imagem da Virgem de Fátima, foi conduzida a Pau dos ferros num avião especialmente preparado para essa finalidade. Constituiu um espetáculo maravilhoso, presenciado por milhares de fiéis que afluiram ao local da aterrissagem para ver, sentir e reverenciar a santa milagrosa de Fátima. Por motivos de ordem técnica, o avião não pode pousar no campo de pouso da cidade o que conseguiu fazer em ótimas condições nas campinas do Jatobá, para onde se dirigiu a multidão numa verdadeira maratona de fé, esperança e devoção religiosa. Quem presenciou, como minha mãe e vários entrevistados meus, fala de coisas maravilhosas, muitas flores, meninas vestidas de anjos, tudo muito organizado. 
 Dr José Fernandes de Melo, em seu livro "Nem todos calçam 40" diz: Ao abrir as portas do avião, olhei os bispos todos paramentados, pareciam príncipes de grandes reinados medievais. Anéis e crucifixos bem polidos, batinas pretas sem sinal de desbotamento, frisos e botões roxos. Todos de solidéu. Caminhei até a porta do avião e logo avistei a bela imagem branca da santa milagrosa. O povo canta, sem maestro e sem acompanhamento musical a canção do dia, que durante anos ficou no inconsciente de muitos:
           "A 13 de maio\ na cova da iria
            no céu aparece\ a virgem maria
            Ave, Ave maria\ Ave, Ave maria
 FANTÁSTICO!!!!!
                                                   Israel Vianney

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

DR: JOSÉ FERNANDES DE MELO....MEMÓRIAS

Trecho do livro"NEM TODOS CALÇAM 40", memórias escritas por Dr: José Fernandes de Melo (In memorian) escrito no final da década de 1980.
....."Terminada minha refeição saí em direção à farmácia local, no centro comercial, frente à esquina do mercado público municipal. O proprietário da tradicional "farmácia Sertaneja" era o sr Alvaro de Andrade, que tinha fama como competente manipulador de receitas de uso farmacológico da época.Para isso tinha todos os aparelhamentos necessários: Balança decimal, càlices, almofariz,um aparelho de fabricar cachetes(Comprimidos)além dos ingredientes farmacêuticos indispensáveis, sais ,tinturas, essências entre outros. Seu Alvaro era conhecidíssimo e sempre solicitado por força do seu ofício que desempenhava com grande conhecimento e capacidade profissional. Dedicara-se à profissão há mais de 50 anos.A farmácia sertaneja ficava defronte ao estabelecimento de Francisco França, uma espécie de "Shoppingcenter"atual, pois tinha loja de tecidos,miudezas,cereais,chapéus, e outras mercadorias. Tinha padaria e um salão de bilhas que faz-me lembrar de meu pai, sempre trabalhando nesse gênero de negócio cansativo e pouco compensador. Dr.Cleodon apresentou-me a Chico França de quem me tornaria grande amigo, compadre e correligionário leal e solidário. Ofereceu-me seus préstimos em todos os sentidos de ofertas e favores que precisasse em Pau dos Ferros e consolidamos uma grande  amizade que perduraria até o seu falecimento em outro de 1980, em Natal, onde passava a residir definitivamente.

MEDO E PRECONCEITO

  A brilhante e tocante escritora e tradutora Lya Luft, sempre me surpreende com  seus artigos, e essa semana na edição  2390 da revista Veja.
Ela diz entre outras coisas que " O preconceito nasce com do medo, sua raiz cultural, psíquica, antropológica, está nos tempos mais primitivos-por isso é uma postura primitiva-, em que todo diferente era um provável inimigo.Precisávamos atacar antes que ele nos destruísse.....Hoje ,quando de trogloditas passamos a ditos civilizados, o medo se revela no preconceito e continua atacando, não para nossa sobrevivência,mas para expressar nossa inferioridade assustadora, vestida de arrogância."......Mais  à frente ela diz "Que medo é esse que nos mostra tão destrutivos? Talvez a idéia de que ELE é diferente, pode me ameaçar, estimulada pela inata maldade do nosso lado sombrio(ele existe,sim).
  Nossa agressividade de animais predadores se oculta sob uma camada de civilização, mas está à espreita e explode num insulto, NA PERSEGUIÇÃO A UM ADVERSÁRIO QUE ENXOVALHAMOS PORQUE NÃO PODEMOS VENCÊ-LO COM HONRA. Nessa guerra ou guerrilha usamos muitas armas: uma delas, poderosa e sutil, é a palavra. PARADOXAIS PODEM SER AS PALAVRAS,QUE PODEM SER CARÍCIAS OU PUNHAIS...Num país que sofre de inúmeras carências em coisas essenciais, não devíamos ter energia e tempo para  perseguir o outro, Causando-lhe sofrimento e vexame, por suas idéias, sua cor, formato dos olhos, Deuses que venera ou pessoa que ama. Nossa energia precisa se devotar a mudanças importantes que o povo reclama. Nestes tempos de perseguição, impunidade e desculpas tolas, só o rigor da lei pode nos impedir de recair rapidamente na velha selvageria. Mudar é preciso!!!!!""" Bravo Lya Luft!!!!!
PS: O texto na íntegra  você encontra na revista veja  ou na sua página On line.
                                       Israel Vianney

terça-feira, 9 de setembro de 2014

AS BELAS CAVERNAS DE FELIPE GUERRA E A PASSAGEM DE LAMPIÃO E SEU BANDO
Autor-Rostand Medeiros 
Poucos conhecem ou já ouviram falar da pequena e pacata cidade de Felipe Guerra, localizada na região do Brejo do Apodi, a 330 quilômetros da capital potiguar. Um lugar muito agradável, de pessoas trabalhadoras, tranquilas e extremamente acolhedoras, mas o que torna Felipe Guerra mais interessante é sua concentração de cavidades naturais, a maior do Rio Grande do Norte. Já foram descobertas mais de 80 cavernas no município, ali foi descoberta uma das maiores cavernas do Nordeste do Brasil, a Caverna do Trapiá, com 2.250 metros de extensão. A maioria das cavernas de Felipe Guerra está localizada no Lajedo do Rosário e os acessos a elas são bem complexos, passando pelas fendas e pelas afiadas rochas calcárias do lajedo.
Em uma das cavernas de Felipe Guerra com equipamento adequado para entrar nestes ambientes - Foto - Solon R. A. Netto
O autor deste texto em uma das cavernas de Felipe Guerra, com os equipamentos adequados para entrar nestes ambientes – Foto – Solon R. A. Netto – Clique na foto para ampliar.
Tive o privilégio de participar de varias atividades ligadas ao conhecimento do patrimônio das cavernas potiguares, mas adentrar nas cavernas é um desafio à parte. Em algumas é preciso descer por árvores que brotam de dentro da caverna, se esgueirar por entre pedras e rastejar por alguns bons e dolorosos metros para chegar até as galerias ou salões, que são as partes mais amplas das cavernas e onde são normalmente encontrados os espeleotemas.
Além das cavernas, Felipe Guerra ainda possui uma das maiores cachoeiras do Rio Grande do Norte, a cachoeira do Roncador e lugares de águas cristalinas para banho, como o Olho D’água, localizado em propriedade privada.
Na região rural de Felipe Guerra trabalhei algum tempo em um projeto que envolvia o IBAMA-CECAV/RN e a SEPARN (Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte) e vi muita coisa bonita.
O bando de Lampião
O bando de Lampião
Mas uma das situações que me impressionava era como os habitantes locais mantêm a lembrança viva das agruras sofridas com a passagem do bando do cangaceiro Lampião, em seu ataque a cidade de Mossoró.
Em uma destas cavidades que alguns habitantes conseguiram um abrigo prático para os terríveis eventos que ocorriam próximos a suas casa e deixou na lembrança das pessoas do lugar um respeito muito grande por estes ambientes. 
Um Lugar Tranqüilo que Perdeu a Paz 
Nas margens do Rio Apodi, na então pequena Pedra de Abelha, a vida seguia tranquila naqueles primeiros dias do mês de maio de 1927. A pequena vila era então um simples aglomerado humano, com pouco menos de 1.200 habitantes, sobrevivendo da cera de carnaúba, da pequena agricultura e da pecuária. Na época dos invernos mais fortes, a pequena vila sofria as enchentes provocadas pelo Rio Apodi, como foi o caso das cheias de 1912, 1917 e a grande cheia de 1924.
Casas antigas de Felipe Guerra
Casas antigas de Felipe Guerra. Foto – Rostand Medeiros – Clique na foto para ampliar.
Por esta época, Pedra de Abelha era um ponto de passagem de viajantes, tropas de burros, vendedores, vaqueiros e outros andarilhos que seguiam a estrada entre a pulsante e rica cidade de Mossoró e a progressista Apodi. Havia uma pequena feira que crescia a cada ano, sempre em ordem e em paz, pronunciando uma tendência de progresso para o pequeno lugar. Outra lembrança de boas perspectivas foi à passagem de alguns homens, de língua enrolada, que se diziam engenheiros, faziam medições e coletavam pedras no lajedo do Rosário, na Passagem Funda, um lugarejo a 8 km de Pedra de Abelha. Logo se espalhou a notícia que o lugar seria transformada em uma grande barragem, que haveria muitos empregos, que seria maior que a barragem de Pau dos Ferros e que a vida em Pedra de Abelha iria mudar para melhor. Mais a barragem não veio e a vida seguia tranquila.
No começo de maio chegam as primeiras das mais terríveis notícias que a região oeste do estado do Rio Grande do Norte iria conhecer. No dia 10, pela madrugada, o cangaceiro paraibano Massilon Leite e mais vinte bandidos atacaram Apodi, depois seguiram para Gavião (atual Umarizal) e na sequência, pilharam a pequena vila de Itaú. As notícias comentavam que apenas um cangaceiro fora preso próximo à cidade de Martins. Para a ordeira população de Pedra de Abelha, ficou o pensamento de que, se os cangaceiros haviam atacado Itaú, uma vila praticamente do mesmo tamanho do seu lugar, por que não atacariam o pequeno povoado a beira do Rio Apodi? Passou então a existir no seio da população uma forte intranquilidade.
OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Não era para menos que os habitantes da singela Pedra de Abelha ficassem ainda mais apavorados quando, em 10 de junho de 1927, chega a notícia de que, incentivado por Massilon Leite, Lampião cruzou a fronteira da Paraíba e entra no estado Potiguar. Seguindo a cavalo, com cerca de 60 cangaceiros (número que gera muita polêmica até hoje), em direção a Mossoró.
Avançando para o norte, promoveram um verdadeiro bacanal de destruição, rapinagem e terror. Roubaram, tocaram fogo em diversas fazendas, assassinaram os que reagiam, entraram em confronto com a polícia e fizeram alguns prisioneiros, do qual só libertariam mediante resgate.
Com a chegada das notícias cada vez mais assustadoras, a população de Pedra de Abelha tratou de procurar refúgio aonde houvesse condições. Muitos seguiram para a fronteira do Ceará, outros foram para propriedades de parentes mais distantes e outros que conheciam melhor a região, buscaram o abrigo das cavernas. É bem verdade que a população do sertão possui um medo respeitoso em relação às cavernas, mais naquele momento, este medo foi deixado de lado e a escuridão da caverna passou a ser um abrigo mais acolhedor do que a incerteza da luz do dia e a presença de cangaceiros na região. 
O Abrigo 
A caverna da Carrapateira fica localizada no Lajedo do Rosário, próximo ao atual Distrito de Passagem Funda e a pouco mais de mil metros da margem esquerda do Rio Apodi. Entre as várias cavernas deste lajedo, essa é a que apresenta a maior facilidade de penetração. Sua entrada tem formato oval, com quatro metros de altura e possui desenvolvimento horizontal, No seu início encontram-se alguns blocos caídos e deslocados, também presentes localmente no interior da caverna. 
Foto - Solon R. A. Netto
O autor deste texto na Caverna da Carrapateira. Foto – Solon R. A. Netto – Clique na foto para ampliar.
Chama a atenção à forma bem como a natureza moldou o túnel principal, sendo muito largo e alto para os padrões das cavernas das proximidades. Sua sinuosidade apresenta contornos de fluxo d’água, marcados nas paredes bastante lisas, lavradas, de rocha calcária limpa e de cor amarelada, com níveis de sedimentação a mostra. Os espeleotemas encontrados são escorrimentos de calcita, cortinas, algumas estalactites e estalagmites. Na parte posterior do corredor principal, aparecem outros tipos de espeleotema muito comum nas cavidades da região; o couve-flor.
Foto - Solon R. A. Netto
Foto – Solon R. A. Netto – Clique na foto para ampliar.
Conforme adentramos a caverna da Carrapateira, o chão vai apresentando uma menor continuidade, mostrando reentrâncias, blocos rolados, até desembocar em uma bifurcação, de onde a caverna segue para salões mais apertados, seguindo por condutos menores. Neste setor, tem-se uma clarabóia de poucos metros de altura, aproximadamente três metros. Por ela pode-se sair do interior com facilidade.
Pelas dimensões do seu interior, pela proximidade com o rio e como na região encontram-se diversas provas da passagem de grupos de caçadores e de coletores, entre 5.000 e 2.000 anos atrás, essa caverna é a que melhor poderia sugerir a possibilidade de algum indicio arqueológico. Contudo, não foram vistos pinturas ou evidências nesse sentido e sua litologia é o calcário.
Foto - Solon R. A. Netto
Foto – Solon R. A. Netto – Clique na foto para ampliar.
Não foram encontrados vestígios da ocupação dos habitantes de Pedra de Abelha na caverna. Como a passagem de Lampião e seu bando no Rio Grande do Norte duraram apenas quatro dias, acredita-se que a ocupação da caverna tenha sido por curto espaço de tempo. Mesmo tendo sido apenas por quatro dias, a região oeste do Rio Grande do Norte nunca esqueceu este episódio. 
O Avanço dos Cangaceiros 
Neste meio tempo, o bando de Lampião seguia em direção a pequena Pedra de Abelha, passou ao lado da povoação de Gavião (atual Umarizal) e seguiu depredando as propriedades “Campos”, “Arção”, “Xique-Xique” e “Apanha Peixe” e nesta última propriedade, para a sorte dos refugiados escondidos na caverna da Carrapateira e da maioria da população de Pedra de Abelha, o bando foi dividido. As sete da noite, seguiu o cangaceiro Massilon Leite, para assaltar pela segunda vez, a cidade de Apodi, enquanto Lampião seguia para Mossoró. Em Apodi houve resistência da população, obrigando Massilon a fugir. Devido a esta divisão, Lampião seguiu em frente por outra estrada, passando paralelo ao povoado. A população respirou aliviada e Lampião seguiu o seu caminho.
A fazenda da foto chama-se Mato Verde, também atacada por cangaceiros sob o comando de Lampião e próxima a Felipe Guerra. Foto - Solon R. A. Netto
A fazenda da foto chama-se Mato Verde, também atacada por cangaceiros sob o comando de Lampião e próxima a Felipe Guerra. Foto – Solon R. A. Netto – Clique na foto para ampliar.
Caminho que faria seu bando cruzar com o progressista comerciante e fazendeiro Antonio Gurgel do Amaral, proprietário de uma moderna fazenda em Pedra de Abelha, às margens do Rio Apodi, no atual Distrito do Brejo. Nesta propriedade foram empregadas muitas pessoas, o local possui uma estrutura muito moderna para a época, inclusive com eletricidade e mecanização. Antonio Gurgel havia acabado de chegar de uma viagem da Europa, aonde buscava trazer matrizes de novas raças bovinas para desenvolverem-se na região.
Sentado a esquerda vemos o coronel Gurgel
Sentado a esquerda vemos o coronel Gurgel
Assim que soube do avanço dos cangaceiros, seguira para a sua fazenda para organizar sua defesa. No meio do caminho, na localidade chamada Santana, foi preso por membros do bando. Era o dia 12 de junho e somente no dia 25, Gurgel seria libertado no Ceará, juntamente com outra refém. Por ser Gurgel um homem inteligente, de boa conversa, índole calma e que sempre procurou a tranquilidade junto aos bandidos, ele nada sofreu. Durante sua convivência forçada, escreveu um diário que é tido como um dos mais completos documentos sobre a vida e o dia a dia destes cangaceiros. No fim de sua provação Lampião lhe deu duas moedas de ouro para serem presenteadas a sua neta e, como pagamento de uma promessa feita pela sua liberdade, sua mulher construiu uma capela na Fazenda Santana, que continua de pé até hoje, bem como a sede de sua fazenda, na atual Felipe Guerra. 
Mossoró, 13 de junho de 1927, a Derrota de Lampião 
Na Segunda-feira, 13 de junho de 1927, dia de São Francisco, ás 16:30 da tarde, com o céu nublado, os cangaceiros atacaram a maior cidade do interior do Rio Grande do Norte. O seu Prefeito, Rodolfo Fernandes, praticamente sem ajuda do governo do estado, conseguiu reunir desde advogados, dentistas, comerciantes, padres e pessoas comuns, entrincheirando-os em vários locais.
1- Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião
Os cangaceiros foram derrotados depois de uma hora de combate, não mataram ninguém e perderam um cangaceiro na hora e outro, o temível Jararaca, foi ferido e capturado logo depois. Acabou assassinado pela polícia local no dia 20 de junho e o mais interessante foi que seu túmulo tornou-se um local de peregrinação religiosa popular.
Lampião sofreu a sua mais terrível derrota, comentou que “Cidade com mais de quatro torres de igreja não é para cangaceiro”. Sem conhecer o seu tamanho e a sua capacidade de defesa, acabou enganado pela promessa de Massilon de pouca resistência e muito dinheiro.
O seu ataque a Mossoró causou repercussão em todo país, sendo noticiado em muitos jornais, foi um verdadeiro choque, que impulsionou ainda mais a sua fama. Mesmo já sendo bem conhecido e frequentador de jornais cariocas, foi a partir deste episódio que o seu nome ficou muito conhecido no sul do país.
Após a derrota em Mossoró, o bando em Limoeiro do Norte-CE
Após a derrota em Mossoró, o bando em Limoeiro do Norte-CE
Após fugir do Rio Grande do Norte, para onde nunca mais voltou, o bando seguiu para o Ceará, aonde pensavam que estariam protegidos e foram implacavelmente perseguidos. O mesmo ocorreu na Paraíba e em Pernambuco. Em 1928 cruzou o Rio São Francisco e conseguiu uma sobrevida de mais dez anos, praticando atrocidades na Bahia, Alagoas e Sergipe, aonde foi morto, com a sua companheira Maria Bonita, na Grota de Angico.
Aqui vemos o caminho ainda original da passagem dos cangaceiros, no sentido de quem segue para a cidade de Governador Dix Sept Rosado
Aqui vemos o caminho ainda original da passagem dos cangaceiros, no sentido de quem segue para a cidade de Governador Dix Sept Rosado
Para a população de Pedra de Abelha, sempre que as notícias sobre Lampião surgiam, voltava as lembranças dos medos e aflições de junho de 1927. Com a sua morte (1938) e o desbaratamento do cangaço (1941), passa a existir um alívio intenso nesta população. Com o passar dos anos, ocorre o desaparecimento das vítimas sobreviventes dos atos cruéis dos cangaceiros e muitos dos descendentes destas vítimas deixam a região, emigrando para grandes centros. Falar sobre os fatos da época do cangaço deixa de ser um tabu. A partir dos anos 60, o mito deste cangaceiro o torna um dos personagens históricos mais famosos da cultura popular brasileira, aonde muitos lugares do País Lampião é encarado como símbolo de nacionalidade e o cangaço como um expoente de luta da cultura e do povo nordestino.
Para conhecer as cavernas de Felipe Guerra, muitas vezes devido a localização, só acampando para facilitar. Foto - Solon R. A. Netto
Para conhecer as cavernas de Felipe Guerra, muitas vezes devido a localização, só acampando para facilitar. Foto – Solon R. A. Netto
Apesar de possuir potencial turístico, em Felipe Guerra, a exploração das cavernas só é feita de âmbito científico e, assim, não existe estrutura alguma para a prática do chamado espeleoturismo. Quem quiser conhecer essas maravilhas, só participando de algum grupo de espeleologia ou então se aventurando naquelas cavernas de mais fácil acesso.
Como chegar a Felipe Guerra: A partir de Natal, pegar a BR-304 até Mossoró, seguida da BR-405 e RN-032. Contato: (84) 3329-2211 (Prefeitura de Felipe Guerra)
Bibliografia:
FERNANDES, Raul, A MARCHA DE LAMPIÃO, ASSALTO A MOSSORÓ. 3 ed. Natal, Editora Universitária, 1985.
NONATO, Raimundo, LAMPIÃO EM MOSSORÓ. 5 ed. Mossoró, Coleção Mossoroense, Fundação Vingt-Un-Rosado, 1998.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira, HISTÓRIA DO CANGAÇO, 4 ed. São Paulo, Global Editora, 1991.
CHANDLER, Billy Jaynes, LAMPIÃO, O REI DOS CANGACEIROS, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1980.
FACÓ Rui, CANGACEIROS E FANÁTICOS, GÊNESE E LUTAS, 7 Ed. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1983.
PERNAMBUCANO DE MELLO, Frederico, QUEM FOI LAMPIÃO, Recife, Editora Stahli, 1993.
DELLA CAVA, Ralph, MILAGRE EM JUAZEIRO, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1976.