segunda-feira, 30 de março de 2015

SEMANA SANTA...RITUAIS PROFANOS..MATANÇA DE JUDAS


 Num período muito curto de tempo, a Semana- Santa, outrora uma das maiores celebrações religiosas no Brasil, tornou-se um fato quase obsoleto. Calma.....Muitos fatores contribuiram  para essa" redução de evidência": A proliferação das igrejas Evangélicas, o enfraquecimento do catolicismo, o "congelamento" dos rituais e a própria modernidade em si, entre outros.
 Antigamente, peguemos como exemplo, no domingo de Ramos, passavam verdadeiras multidões com seus adereços feitos de Carnaúba e outros vegetais em direção á igreja, para a benção. Lembro-me de que ficava encantado com os "Arranjos" feitos pelos populares...Sem muita habilidade, ficava sempre procurando alguém para dar alguma forma interessante à minha palha de carnaúba, levada  "in Natura". E vinham a QUARTA-FEIRA DE TREVAS, onde, segundo nossos antepassados, nem poderíamos tomar banho,sob pena de ficarmos "Entrevados" ou sem movimentos. Quinta e sexta então, aí que a coisa ficava rígida: Na minha família não usávamos nem o automóvel, todas as movimentações eram feitas à pé e eu pirava no final das contas.  Sem contar que cobriam todas as imagens sacras com véus ou mantilhas(ficava uma coisa meio fúnebre).
 Finalmente o SÁBADO DE ALELUIA, onde as profanações vinham todas á tona, incluindo aí a matança de Judas, que envolvia toda uma preparação prévia de arrecadação de comidas, bebidas e dinheiro...E o mundo voltava à normalidade.
 Hoje, algumas dessas coisas soam até engraçadas, mas cada um vê à sua maneira..
 BEIJOS!!!!!!!!!!
                                Israel Vianney



quinta-feira, 26 de março de 2015

HISTÓRIA DA LINHA FERROVIARIA ENTRE MOSSORÓ E ALEXANDRIA

HISTORICO DA LINHA: A E. F. Mossoró-Souza foi inaugurada em 1915 entre Porto Franco e a cidade de Mossoró, com o objetivo de se alcançar a cidade de Alexandria, na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba. Após muitos adiamentos, o prolongamento da linha foi saindo aos poucos, em 1926 a São Sebastião e somente em 1951 a Alexandria. Por volta de 1958 chegou a Souza, encontrando-se com a linha Recife-Fortaleza nessa cidade. Nos anos 1980, a ferrovia foi desativada e seus trilhos arrancados em praticamente todo o percurso.
A ESTAÇÃO: A estação de Mossoró foi inaugurada com a linha paraPorto Franco em 1915. Doze anos depois (1927), Lampião juntou seu bando e alguns líderes cangaceiros da região, entre eles o chefe de bando do oeste potiguar, Massilon. Após pedido de

ACIMA: A linha da E. F. Mossoró-Souza passa pelo município de Mossoró nos anos 1950 (IBGE: Enciclopedia dos Municípios Brasileiros, vol. V, 1960).dinheiro para não invadir a cidade de Mossoró, na época com uns 25 mil habitantes, e negativa do prefeito Cel. Rodolpho Fernandes,a cidade se preparou para a batalha. Mulheres, crianças, idosos e enfermos tentavam embarcar no trem para Porto Franco, próximo aAreia Branca. Vagões de carga eram atrelados à composição para que a multidão pudesse partir, mesmo assim não tinha lugar para todos. Naquele dia a locomotiva a vapor partia para uma viagem relativamente curta deixando a fumaça preta no ar tamanho o esforço com o peso tracionado. No dia 13 de junho daquele ano,Lampião e seu bando entram em Mossoró sofrendo uma terrível

ACIMA: A cidade se defende esperando o ataque de Lampião a Mossoró, em 1927 (Autor desconhecido).derrota frente aos bravos moradores daquela cidade. Foge deixando para trás o cangaceiro Jararaca que foi preso e "justiçado" pela polícia local. Antes de entrar na cidade, Lampiãocomentou com os seus comparsas que "cidade com mais de duas torres não é para cangaceiro". No dia seguinte após a batalha completou: "da torre da igreja até o santo atirava na gente". "Nós gostamos de nos identificar como sendo de uma entidade mítica chamada de "país de Mossoró", aceito como verdadeiro por força da tradição. Um ex-diretor do então Ginásio Diocesano Santa Luzia, o padre Cornelio Dankers, um sacerdote holandês de rosto avermelhado, que não sei como nem porque foi parar nas frondes da caatinga nordestina, dizia que havia muito de similitude entre holandeses e mossoroenses. Enquanto eles construíram seu país conquistando terras ao mar, nós assentamos o nosso sobre as agruras e vicissitudes do semi-árido e, às vezes, enfrentando o descaso e interesses misteriosos dos poderes constituídos. Acho que o transporte ferroviário é um exemplo típico. A ferrovia é uma aspiração mossoroense desde 1870, quando se fez um projeto ligando Porto Franco, no litoral norte potiguar, ao rio São Francisco, com a utilização de recursos privados. Um desses 

ACIMA e AO LADO: Interior do segundo andar da estação de Mossoró, em 2005 (Autor desconhecido).
idealistas, Francisco Solon, conseguiu a concessão do empreendimento, viajou a Paris e conseguiu os financiamentos necessários, contudo não
obteve a aprovação do governo brasileiro. O assunto ficou emcompasso de espera até 1912, quando nova concessão foi dada a Humberto Sabóia, Vicente Sabóia de Albuquerque e Francisco Tertuliano de Albuquerque. Em 1927, os trilhos da ferrovia chegavam a São Sebastião (hoje Dix-Sept Rosado), viabilizando a exploração de uma das maiores jazidas de gipsita do Brasil. No dia 30 de setembro de 1929 foi entregue o trecho de Carnaúbas e, em 1936, o de Mineiro. Nos anos cinqüenta, já com a participação

do governo federal, os trilhos ligavam Mossoró à cidade paraibana de Souza. Grandes nomes (mossoroenses de nascimento ou por adoção) participaram dessa odisséia. Entre eles Urich Grafe, Chorkatt de Sá, Francisco Solon, Roderic Grandall, Augusto Severo, Humberto Sabóia Meira e Sá, Vicente Carlos de Sabóia, Francisco Tertuliano de Albuquerque, Vicente Carlos de Sabóia Filho, o prefeito Luiz Ferreira da Mota (o padre Mota), Jerônimo Rosado, General Agenor Zuzine Ribeiro, o deputado Vicente da Mota Neto, Luis de Sabóia, Francisco Galvão de Araújo, Pedro Leopoldo da Silveira. A verdade era que em Mossoró havia duas ferrovias: a Estrada de Ferro de Mossoró, que explorava o trecho Mossoró-

ACIMA: Ruínas das oficinas e galpões da RFFSA em Mossoró. O que se vê na foto do início dos anos 1990 é a parte externa do complexo de oficinas e galpões. A foto foi feita com o fotógrafo posicionando-se de costas para a avenida Rio Branco e registrando a parte externa posterior (traseira) dos galpões. O terreno onde ficavam tinha cerca de 540 metros de comprimento por 56 de largura, e contava com quatro galpões geminados que abrigavam almoxarifado, depósito, carpintaria e oficinas onde se faziam reparos de máquinas e vagões. Esses galpões possuíam os mencionados nomes gravados em alto relevo com letras graúdas de caixa-alta cravadas no frontispício de cada um deles, logo acima das portas. Trilhos passavam por dentro de dois desses galpões, (oficinas e carpintaria) e geralmente havia máquinas e carros estacionados dentro deles. Esses prédios possuíam saídas de ar longitudinais no topo dos telhados para que os vapores ou fuligens das máquinas não se acumulassem em seu interior. Logo ao lado das oficinas ficavam os escritórios da Rede, uma escola, uma vila ferroviária (que ainda hoje existe) e um campo de futebol. O terreno ainda contava com um enorme tanque para abastecimento das locomotivas diesel e uma antiga caixa-d'água. Todo esse complexo permaneceu, desde o fim das estações de passageiros em 1991 até o arrancamento dos trilhos em 2001, completamente abandonado e se deteriorando com a ação do tempo e de vândalos que roubavam seus materiais. Boa parte dos galpões havia já desabado quando as máquinas da prefeitura vieram e deitaram abaixo o que ainda restava das ruínas. Essa demolição ocorreu em 2004, e hoje não resta absolutamente mais nada para contar a história. Por sobre o terreno foi aberta, ainda no mesmo ano, uma longa avenida que acompanha o antigo percurso da linha férrea (Foto provavelmente de jornal da época (1990). Texto de João Costa, setembro de 2013). Porto Franco, até o litoral e a Estrada de Ferro Mossoró-Souza, que ia até aquela cidade paraibana. Depois, houve a fusão das duas e em Mossoró passou a existir apenas uma Delegacia Administrativa da Rede Ferroviária do Nordeste, fato que ensejou a transferência de grande número de funcionários para outras cidades. Na gestão de Mário Andreazza no Ministério dos Transportes, para incentivar o transporte rodoviário, as ferrovias foram garroteadas e, criminosamente, os trilhos de alguns trechos foram arrancados e vendidos como ferro velho. Em 1968, houve a primeira tentativa para a extinção da ferrovia de Mossoró, até que, na década passada, as locomotivas pararam de vez. Agora noticia-se que o BNDES vai conceder empréstimo à Cia. Ferroviária do Nordeste (sucessória da Rede Ferroviária do Nordeste) para a recuperação, melhoria e construção da chamada Ferrovia
TRENS - De acordo com os guias de horários e outras fontes, os trens de passageiros pararam nesta estação de 1915 a 1991. Ao lado, o trem em Patu nos anos 1970. Clique sobre a foto para ver mais detalhes sobre o ramalVeja aqui horários em 1960e em 1978 (Guias Levi).
Transnordestina, que vai ligar São Luiz, no Maranhão até a capital pernambucana. O trecho do Rio Grande do Norte seria apenas um ramal que, saindo de João Pessoa, atingiria Natal, possivelmente Angicos e terminaria em Macau. E Mossoró? Nisso ninguém fala. Havia duas, não há nenhuma e estamos fora do novo projeto de ferrovia. Mossoró tem sal, frutas, cimento, camarão e uma miríade de outros produtos para serem transportados. Com a palavra os representantes de Mossoró nas casas legislativas e em outros postos governamentais: os deputados Sandra, Betinho e Larissa Rosado, Francisco José e Ruth Ciarlini, a governadora Wilma de Faria (é, ela nasceu em Mossoró) e o senador José Agripino Maia" (Tomislav R. Femenick, "Havia duas, não há nenhuma e estamos fora", Jornal de Hoje, Natal, RN, 24/11/2003). A estação continua lá. Não conheço o local, mas parece que, pelas fotos, parte da vila ferroviária foi pintada com cores diferentes e é a tal cidade das artes; a estação sm si parece bem conservada mas com outro uso. Os trilhos da ferrovia foram arrancados em grandes trechos, suas oficinas estão em ruínas e das locomotivas, que antes cortavam a cidade de Mossoró, não se tem mais notícias. Os trens de passageiros circularam no ramal de Mossoró até cerca de 1989. No início desse mesmo ano vi-o estacionado na estação de Sousa. Em suas últimas viagens, ele saía de Sousa às 3 h da madrugada, chegava em Mossoró às 9 h da manhã, retornando às 15 h e chegando a Sousa por volta das 21 h. Essa viagem, nessa época, acontecia somente às segundas-feiras e aos sábados.
(Fontes: Adriano Perazzo; João Costa, Luís L'Aiglon Pinto Martins; George Mascena; Ricardo Tersuliano; A. A. Araújo e L .R. Bonfim: Lampião e a Maria Fumaça, 2002; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1960; Jornal de Hoje, Natal, RN, 24/11/2003; Guia Geral de Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)


A estação nos anos 1950. Acervo George Mascena

A estação em 2003. Reproduzido do livro Lampião e a Maria Fumaça, de A. A. Araújo e L .R. Bonfim

A estação em 2005. Autor desconhecido

A estação em 2005. Autor desconhecido

A estação em 2007. Foto Luís L'Aiglon Pinto Martins

A estação em 2008. Foto George Mascena

PARECE PAU DOS FERROS........

Major Sales se prepara para realizar o maior evento de cultura popular do interior do RN.


A Prefeitura de Major Sales, através da Secretaria Municipal de Cultura, realizará no próximo dia 04 de abril – sábado de aleluia na praça de eventos, a XXV edição do Concurso de Caboclos – Malhação de Judas de Major Sales. O concurso celebra a tradição secular da dança dos caboclos e se consolida como o maior evento de cultura popular do interior do estado do Rio Grande do Norte.

PROGRAMAÇÃO:
- 07:00h – Arrastão Cultural dos Caboclos pelas principais ruas da cidade.
- 18:00h – Abertura da feira cultural dos Caboclos
-19:00h – XXV Concurso de Caboclos – Malhação de Judas 
-23:00h – Shows com Circuito Musical e Fernando Farias

PREMIAÇÃO:

A Prefeitura Municipal como incentivo as turmas que competirão no XXV Concurso de Caboclos ofertará as seguintes premiações:
- 1º lugar: R$ 3.000,00 
- 2º lugar: 2.500,00 
- 3º lugar: R$ 2.000,00.

As turmas já receberam também uma ajuda de custo de R$ 500,00 para a confecção do figurino e R$ 200,00 para participação no arrastão dos caboclos.

O Prefeito Thales Fernandes tem se empenhado junto com a comissão organizadora para que a edição deste ano de 2015 continue superando as edições anteriores, para tanto, diversas melhorias estão sendo feitas na estrutura do evento, tais como: melhor sonorização, iluminação, espaço cercado para apresentação, dentre outras ações que visam proporcionar melhor aparato para o concurso. O gestor da terra da cultura destaca que a festa dos caboclos é o principal evento do município, o ponto máximo da cultura local, por isso trabalha da melhor forma possível para suprir com as expectativas dos brincantes, da população e dos visitantes......

quarta-feira, 25 de março de 2015

MATA BURRO Por Licurgo Nunes Quarto






É um dispositivo que impede a passagem e consequente saída de animais (bovinos, equinos ou muares) de uma propriedade rural, bem como impede a entrada de animais estranhos - alheios - à mesma. 
Consiste na colocação de estrados – de ferro, madeira ou concreto - que, instalados, com espaços entre eles e por sobre um fosso – buraco - funciona como ponte para automóveis, mas que impossibilita que os quadrúpedes passem, sob pena de, ao pisarem nos citados estrados, caiam no fosso. 
Os mais modernos mata-burros são construídos de aço (canos de aço, ou mesmo trilhos de estrada de ferro) pois são mais resistentes, dispensando, portanto, a necessidade de substituições e manutenções constantes, diferente dos antigos mata-burros de madeira ou concreto.
São instalados obrigatoriamente ao lado de uma cancela, para que esta permita o acesso dos citados animais.
São várias as vantagens e benefícios oriundos da existência de um mata burro em uma propriedade rural. Entre esses benefícios, poderia citar alguns, como:
1 - Impedir o acesso de animais estranhos, forasteiros – e que por acaso estejam contaminados com alguma doença – não venham a contagiar o rebanho com alguma patologia, como brucelose, febre aftosa, mastite, doença do casco, tuberculose, leptospirose, etc.
2 – Evitar que algum animal que escapou do curral ou de um cercado, saia da propriedade e se perca, ficando perambulando pelas estradas;
3 – Facilitar o acesso de automóvel, uma vez que não há necessidade de abrir cancela nenhuma. Esse fato, aliás, está sendo de grande importância nos dias atuais, uma vez que – a exemplo das cidades – a violência urbana chegou ao campo, e o ato de parar o automóvel para abrir uma cancela tornou-se um fator de alto risco; o condutor do veículo, bem como os demais passageiros, ficam vulneráveis a uma emboscada, a um atentado, a um assalto!
Na Fazenda Galeão – distante 02 km da Cidade de Marcelino Vieira – RN - atribui-se ao “mata burro” - instalado há muito tempo - a inexistência de ocorrência de qualquer doença – comum nas suas cercanias – que afetasse o seu rebanho. É que o seu proprietário, Desembargador Licurgo Nunes, sempre preocupado com a saúde animal do seu criatório, prezava em manter bem conservado tal equipamento, assim como era rigoroso no sentido de recomendar conservar fechada a cancela instalada ao lado, sem se descuidar da vacinação periódica de todo o rebanho, missão esta desempenhada pela grande figura humana – o Joaquim Osório – Veterinário prático; pessoa amena e cordeira.
Quanto a esse mata burro – equipado na entrada da Fazenda Galeão – há um fato hilário e que ficou marcado em todos nós que convivemos à época:
“Corrinha” – Maria do Socorro Silvestre da Silva, filha caçula do casal João Silvestre/Maria Vieira – Gerentes da Fazenda Galeão – quando aprendeu a dirigir automóvel, e achando que já era perita no mister, saiu dirigindo um “Chevette” de Marcelino Vieira à fazenda. Passou pelo “Rio Panatís” - seco à época - por sob as frondosas e seculares oiticicas existentes no caminho, pela “Várzea de Laurindo Preto”, e ao chegar à entrada da Fazenda e tentar passar pelo citado mata burro, não teve o devido controle emocional – ou “munheca” suficiente – e deixou que o carro caísse a sua lateral no fosso que compõe o equipamento; acontecimento inédito, inusitado! Formou-se, então, uma força tarefa constituída por uma turma de moradores fortes para retirar o veículo do buraco. Ronildo, Cláudio, Manezinho, Chicão, João Pequeno, Manezão, Cuíca, Zé Bezerra, Zé Vitor, Zé de Ronildo, Babá e o próprio João Silvestre resolveram logo o problema, alçando o veículo, avariado na sua suspensão e lataria.
Desnecessário dizer que esse fato fez com que o mata burro passasse a ser denominado de “Mata burro de Corrinha”, em uma homenagem à autora do feito!
Observação: as fotos dos mata burros são ilustrativas e foram obtidas no google!

sexta-feira, 20 de março de 2015

EXPERIÊNCIAS DE CHUVA

Nenhum povo possui crendices ou superstições próprias; mas todos têm variantes de superstições e crendices gerais, talvez originadas numa fonte comum, misteriosa e antiquíssima, de onde certamente irradiaram suas primeiras formas, salvo se idênticas condições e idênticas circunstâncias produzem, seja onde for, as mesmas manifestações demopsicológicas. Assim, não se encontra no sertão nordestino nenhuma crendice que não tenha correspondência entre outras gentes, às vezes mesmo extraordinariamente afastadas e às quais unicamente se poderá ligar através de remota e complexa ascendência. A grande preocupação no sertão nordestino é a chuva, sem a qual a vida não é possível. Para saber de antemão se o ano ,vai ser seco, de repiquete, isto é, meio seco, ou chuvoso, fazem-se duas experiências. O sertanejo dá este nome aos seus processos divinatórios. A primeira é a chamada de Santa Luzia. Na véspera do dia consagrado à gloriosa mártir, riscam-se numa tábua ou papelão seis retângulos, correspondendo cada um deles a um mês do ano, de janeiro a junho, época do inverno, coloca-se em cada quadrado uma pedra de sal e expõe-se ao sereno, nessa noite de 12 para 13 de dezembro. Pela manhã, vai-se ver o que aconteceu. Conforme o sal esteja derretido neste ou naquele quadrado, choverá mais ou menos nos meses correspondentes. Há uma razão de ordem prática nesse processo divinatório: a grande sensibilidade do cloreto de sódio ao estado higrométrico da atmosfera. A segunda é considerar o dia de Santa Luzia, 13 de dezembro, como representando o mês de janeiro, e os seguintes como os outros meses até junho. Se chover ou fizer sol nesses dias, choverá ou haverá seca nos meses correlatos. A importância da chuva para o sertão é tão grande que em toda parte do mundo se diz que um dia é belo, quando faz sol. Ali, pelo contrário, o dia chuvoso é que é belo e quanto mais chuvoso mais lindo. O dia de São José, 19 de março, também se reveste de grande importância para o sertanejo. Precede de 48 horas o equinócio, não sendo rara nele a mudança de tempo. Por isso, se até essa data o inverno se não manifestar, consideram-se perdidas todas as esperanças. Também se afirma que, se a 19 de março amanhecer o dia com céu limpo e sol, ainda haverá inverno, embora atrasado; mas, se amanhecer chovendo, a seca será terrível. Essa crendice veio dos povos do Ocidente europeu através da Península Ibérica e localizou-se no sertão, sofrendo as modificações do ambiente e das devoções peculiares à região e sua gente. Na meteorologia popular européia, quem representa o papel de Santa Luzia e São José é o quase desconhecido São Medardo, cuja festa é a 8 de junho. Os camponeses franceses, belgas, suíços, gascões, saboianos e bávaros acreditam que, se nesse dia fizer sol, fará sol todo o verão; se chover, choverá o verão todo. A diferença das datas nas duas crendices, a sertaneja e a européia, corresponde exatamente à das estações nos dois hemisférios. O matuto coloca sua data nas proximidades do equinócio de março, de cuja força dependem as águas fertilizantes. O campônio europeu põe-na perto, do solstício de junho. Não sei por que se atribui no Nordeste a São José e a Santa Luzia o patronato das chuvas. Reza-se a São José, no fim de todos os terços e novenas, pedindo as chuvas benéficas. Mesmo nas procissões ad petendam pluviam, feitas para obter do céu que a seca não desgrace o sertão, o povo clama: - São José, dai chuva! São José, dai chuva! A razão da escolha de São Medardo para gozar dos mesmos direitos foi dada pelo membro da Academia Francesa Arnault, de acordo com os velhos biógrafos do santo, que foi Bispo de Noyon e de Tournai, no século VI. Uma feita, indo de viagem, caiu forte aguaceiro; mas uma águia baixou do alto céu e o cobriu com as grandes asas protetoras. Arnault, a propósito procura fazer espírito, dizendo admirar-se dele ter o privilégio de molhar os outros somente por ter tido o de milagrosamente se não molhar. A Santo Antônio também se pedem chuvas no sertão, amarrando sua imagem ou pondo-a de cabeça para baixo, como castigo, quando não atende aos rogos. Havia na cidade de Baturité ao pé da serra do mesmo nome, no Ceará, um tal de José Teotônio, que, todos os anos, comemorava as notícias de boas chuvas, soltando foguetes em louvor do glorioso santo de Pádua e Lisboa; porém, se a seca lavrava pelos sertões, pegava sua imagem, amarrava-a na vara dum poderoso rojão e enviava-a, como soía dizer, de volta ao céu. Esse castigo dos santos também não é peculiar ao sertão. Na edição de 1560 do seu Tratado das superstições, narra o clérigo Martinho d’Arles que, havendo seca na Navarra, as gentes do campo se não humilhavam perante seu padroeiro, que era São Pedro. Levavam sua imagem em procissão até a beira do rio, colocavam-na diante da água e bradavam ameaçadoramente algumas vezes seguidas: - São Pedro, socorrei-nos! A imagem continuava, como era de esperar, imóvel e silenciosa. Então, todos os presentes gritavam, encolerizados: - Atiremos São Pedro nágua! Como São Pedro não se movia, nem respondia, empurravam-no para a correnteza líquida, que o carregava. Às vezes, os padres pediam ao povo que esperasse um dia ou dois pelo milagre do santo, dando até cauções para essa espera. Na "Lenda Áurea" de Jacques dc Voragine ou Jac de Voraggio, se conta que um judeu prometia à imagem de São Nicolau dar-lhe uma surra, se não defendesse convenientemente seus bens. (Barroso, Gustavo. Ao som da viola, p.583-585)

terça-feira, 10 de março de 2015

Pauferrenses são Destaques no Jiu Jitsu Nacional: Colunista nossoparanarn A cada dia a cidade de Pau dos Ferros ( Oeste do Rio Grande do Norte ) vem se destacando gradativamente no Jiu Jitsu, promovendo e revelando novos valores e consequentemente novas Conquistas, Frutos de Muito Suor e Trabalho de Grupo. A Equipe HIKARI de Pau dos Ferros-RN, disputou nesse domingo 08 - 02 - 2015 o Open Juazeiro Internacional de Jiu Jitsu e Submission, O Atleta Maycon Thomas provando muita Garra e Técnica sagrou-se Campeão do Submission Leve faturando assim o Ouro nessa Categoria, Já o renomado Atleta Pauferesse Cayo Cilas Bezerra faturou na referida competição três Medalhas de Ouro ou seja: . Campeão Absoluto Jiu Jitsu, . Campeão no Submission, . Campeão na Categoria Super Pesado de Jiu Jitsu. Visando mais Conquistas o foco total agora será o aprimoramento nos treinos isso pelo fato que em abril acontecerá o Campeonato Brasileiro Submission X-COMBAT na cidade de Vitória - ES e em seguida o Brasileiro de Jiu Jitsu em Fortaleza - CE. Nesse momento tão especial fica aqui os nossos sinceros agradecimentos a Netonline, Prefeitura Municipal de Pau dos Ferros, Salão Jânia Bessa, Dr Hênio, Ótica Aquino, Nutryline e a Equipe HIKARI.

O FOLCLORE E A CULTURA NO RIO GRANDE DO NORTE

O folclore do Rio grande do Norte deve ser motivo de muito orgulho para todos os potiguares. Aqui Nasceu Luis da Câmara Cascudo(30/12 1898-20/07/1986), o maior folclorista Brasileiro. Aqui esteve em Dezembro de 1928 a Janeiro de 1929, o escritor Paulista Mario de Andrade, a Convite de cascudo. Mario, realizou por aqui um trabalho de pesquisa e documentação cultural da maior importância. Aqui Nasceu Chico Antônio, " Uirapuru de Vila nova", divinizado por Mario de Andrade , por sua arte de cantar Côco. Aqui Nasceram também Fabião das Queimadas, o poeta das vaquejadas,que, com seus romances, enriquece a poesia Brasileira, e Chico Daniel (Francisco Angelo da Costa), Certamente o maior Mamulengueiro do Brasil. Finalmente, é aqui, no Rio Grande do Norte que ainda hoje se apresentam algumas danças e Autos Folclóricos mais perfeitos do país; objeto de elogios dos maiores folcloristas Brasileiros como Luis da Câmara cascudo, Mario de Andrade, Ascenço Ferreira e Théo Brandão. INFELIZMENTE, porém, insensíveis a esse universo de Beleza, o nosso povo, os nossos intelectuais e , principalmente, AS NOSSAS AUTORIDADES, ESTÃO DEIXANDO QUE ESSE RICO PATRIMÔNIO VÁ, AOS POUCOS, DESAPARECENDO, ATÉ SE ACABAR DE UMA VEZ. re CUSTARIA TÃO POUCO SALVÁ-LO da destruição. Menos do que se imagina. Aqui em Pau dos Ferros, nosso maior exemplo é o Abandono da casa de Cultura Joaquim Correia, o prédio mais antigo da cidade, com 114 anos, assim como a destruição de toda a arquitetura do século XX. A secretaria de cultura municipal, tem em seu quadro, pessoas que pouco conhecem o verdadeiro sentido do que é ARTE, CULTURA E FOLCLORE. PENA!!! Israel Vianney