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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PAU DOS FERROS DE OUTROS CARNAVAIS



"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar", como ele não chega, vai demorar quase um ano, vou me debruçar sobre a saudade dos antigos carnavais de Pau dos Ferros, época sadia, de muita animação e muito brilho na alma dos foliões de nossa terra. Na foto acima, a baliza, o estandarte do bloco "Os Inocentes", mais querido de Pau dos Ferros na década de 60. As três moças pousantes na foto são Maria de Fátima Reginaldo, Norma e Maria das Graças. Ainda na década de 60, também ganhava destaque "Os Piratas", cuja rainha Zilma Lira, no ano de 1967, está pousando logo abaixo: 



Nesta década, também existiam AS COLOMBINAS, bloco só de mulheres, assim como também existiram na década de 70 "AS GAIVOTAS" e "AS NAMORADINHAS DO CARNAVAL", três blocos só de mulheres... "OS AVENTUREIROS", "OS LISOS", "MALUCOS CACHACEIROS" e "A POMBA" também foram blocos da época dos anos de chumbo, final da década de 60, pegando a década de 70 e 80. Outro bloco da década de 70/80 era "OS SENEGOID", formado por membros e agregados da família Diógenes, tradicional família do município (Senegoid é Diógenes ao contrário):




A BOMBA DA POMBA

Por falar na Pomba, para não deixar ela voar, contarei uma historinha conhecida na cidade... Era o ano de 1977. O carnaval fervilhava pelas vielas da provinciana Pau dos Ferros. Os dois locais em que os bailes ocorriam eram no CCP (Clube Centenário Pauferrense) e no BNB Clube. Um bloco famoso da época levava o nome de -A POMBA-. E, vários jovens participavam da folia de momo buscando sempre o protagonismo com suas presepadas e fantasias. Pois bem... Numa dessas peripécias, talvez sem maldade nenhuma, foi preparado um artifício para que no momento do desfile dos foliões fantasiados saísse fumaça, elemento muito usado nas festas até hoje... No entanto, a tecnologia da época só permitiu que se colocasse pólvora dentro de uma lata metálica, dizem quem foi  nos tempos em que saiu a primeira cerveja em latinha, mas, poderia ser de óleo de cozinha, querosene, tinta ou outro líquido comumente guardado em recipientes desse tipo. Todavia, o negócio deu ruim... O artifício que iria abrilhantar o momento acabou causando um grande transtorno. Explodiu. A lata explodiu. Estilhaços atingiram o grande conglomerado de pessoas e houve corre-corre, confusão, gritaria... Muita gente foi levada ao hospital, com pedaços de metal entranhados em todo o corpo. A polícia foi acionada e alguns valentões coronelistas que fazem justiça com as próprias mãos também quiseram achar e punir os culpados, porém todos se espargiram pelo tempo da mesma forma que a fumaça era para se espargir, ou, melhor dizendo, da maneira que os pedaços de lata voaram. Os culpados não foram elucidados, o crime foi prescrito e vocês fiquem quietos, não contem nada a ninguém, coloquem uma pedra em cima dessas palavras. Por mim, eu estou calado, eu não vou dizer mais é nada.

AS RAINHAS

As festas para a escolha da Rainha de cada bloco eram realizadas 30 dias antes do carnaval, para  ter tempo de preparar tudo e quando chegar no dia, a Rainha desfilar junto com o melhor folião pelas ruas da cidade no chamado Zé Pereira, cortejo carnavalesco tradicional, ao som das marchinhas, das bandas de Uiraúna, Luís Gomes e das charangas em geral. Na foto abaixo, Marta Pontes, Marta da 36, vereadora do município por 2 mandatos e ex-secretária de cultura: 



Marta foi Rainha dos carnavais de 1979 e 1981 e pertencia ao Ki-Bloco. A expressão "Ki" alguma coisa será encontrada em outros blocos posteriormente, era uma locução bastante comum na época, quando alguém dizia, por exemplo "vou pra festa", logo respondiam: "que (ki) festa?" e assim ocorria em diversas ocasiões.


OS BLOCOS

Desde "Os Inocentes e Os Piratas", os blocos sempre buscavam destaque com suas fantasias, as festas ocorriam até 1987, em dois clubes: BNB e CCP, depois passou a ocorrer no famoso Bar das Almas, que logo após se transformaria em Éden Clube. A direção dos clubes e os organizadores dis bailes e festas disputavam as melhores atrações, o melhor acesso e com o fim de chamar a atenção do maior número de foliões, Help Som (banda local) e Banda Feras de Parelhas ganhavam destaque na animação dos bailes. Abaixo, foto de foliões no BNB CLUBE:


Ocorriam também os "Assaltos", nos quais os foliões pediam e recebiam bebidas e comidas, tira-gostos, petiscos etc das pessoas nas ruas e nas residências da cidade, os mais famosos eram nas casas de Zezinho Henrique, Pedro Oséas, Nilsa Batalha, Zeferino Vilaça, Pedro Diógenes, Pipiu Diógenes, Socorro Lopes, Eusébio da 13 de Maio, Ercílio Martins, Chico de Freitas e tantos outros, nessas casas, a fartura era grande e a festança completa.

Lista de blocos:

Malucos cachaceiros
As gaivotas
Remexer
As namoradinhas do carnavaç
Geração 2000
Cachorra da mulesta
Orgasmo
Adrenalina
Os Kafajestes
Prostituintes
Kibloco
Os senegoid
Os lisos
As colombinas
Os bambinos
A Pomba
Os aventureiros
Salafras
Sarrafos
Alcoofobia
Os inocentes
Coisa nossa
Os Bois Tabacos
Os trombadinhas
H-chados
Infielmente sua
Cabeça feita
Os transa boys
Garotas de ninguém
Os alpinistas
Mistura fina
Toque de malícia
K-Sacana
As inocentes
As kannayadas
Loloveyou
Free Cats
Cobras criadas
Timbalada
Colibri.

Deve ter muito mais, quem souber de mais pode dar um grito. E, para resfrescar a mente dos pauferrenses entusiasmados, agora mostraremos uma galeria de fotos com vários blocos da cidade:


Bloco Mistura Fina



                                                                          Ki-Bloco




                                                                      Os Salafras



                           Integrantes do Bloco Remexer com integrantes do bloco "Os Salafras"




Bloco dos Morais (formado por integrantes e agregados da família Morais)




Ki-Xexo



Doidos Foliões



Pelados no Tanque (Primeiro ano dos Bois Tabacos)





Os Bois Tabacos e as Vacas Loucas





Timbalada

A partir do Bloco Ki-Xexo até os Bois Tabacos, foi uma sucessão até chegar ao ápice: Os Bois Tabacos, bloco que perdurou por 10 anos, era o bloco -da minha rua-, os filhos do leiteiro da rua, de seu Zé Souza, colocaram esse nome original, jocoso e bucólico. O Bloco Timbalada brincou de 1997 a 2006. E, por último, talvez o único bloco remanescente em Pau dos Ferros, o "Cachorra da Mulesta", que sobrevive no bairro Riacho do Meio, faz seus desfiles à moda antiga e enche de alegria e irreverência os moradores daquele bairro:



Olha a self aí... fomos do preto-e-branco à self e assim continuaremos, colocando o bloco na rua, desfilando pela avenida, para quando o fevereiro chegar, saudade não matar a gente. Viva!

Por Manoel Cavalcante

Fotos: Evanda Luzia, Nicinha Morais, Valdívia Lopes, Maria Fernandes, Marta Pontes e Valcileide Souza.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

45 ANOS DA CONQUISTA DO TÍTULO DO MATUTÃO PELO CLUBE CENTENÁRIO PAUFERRENSE

     
                Em pé: Toinho de Sula, Varela, Salvino, Aldemir, Manoel do Dnocs e Aldemir
 
                           Agachados: Derval, Edilson, Bobô, Botijinha e Chiquinho.

Título do Matutão

Pra quem não sabe o sentido
Do nosso estádio altaneiro
Ter o nome singular,
Sendo “9 de Janeiro”
É fazendo uma alusão
Ao título do “Matutão”
Por nosso time guerreiro.

Era nosso grande Clube
Centenário Pauferrense,
O famoso CCP
Que a nossa história pertence,
Deixando estabelecido
Que quando se está unido
Qualquer batalha se vence.

Matutão foi um certame,
Um famoso campeonato,
Disputado pelos campos
Nas cidades e no mato
Reunindo as principais
Seleções municipais
Sem bla-bla-bla nem boato.

O Centenário ficou,
Acuado qual tatu,
Num grupo ruim feito leite
De pele de cururu,
Porém não ficou no quase
Deixou na primeira fase
Almino Afonso e Patu.

Contra Patu, dois empates:
Um a um e dois a dois,
Porém contra Almino Afonso,
Nós vencemos sem complôs:
Um a zero e dois a um
Sem querer fazer jejum
Do que viria depois.

Na fase de mata-mata
Confesso de forma franca
Que ainda teve gente
Que pensou em botar banca
E o CCP, sem ser fraco,
Pôs dois a zero no saco
Do time de Areia Branca.

Depois sem muito trabalho,
Nós goleamos sem dó
O timão mais badalado
Das terras do Seridó
E para ser mais sincero
Sapecamos cinco a zero
No lombo de Caicó.

Aí chegou a final
Com grande expectativa.
De Pau dos Ferros saiu
A equipe competitiva
Para o jogão esperado
Almejando o resultado
De maneira positiva.

O time de Macaíba
Era o nosso adversário,
O Juvenal Lamartine
Em Natal foi o cenário
Sem mídia nem entrevista
Da grandiosa conquista
Que tentava o Centenário.

Dia 9 de Janeiro
Do ano de 72
Aconteceu o jogão,
E sem dizer nem apois,
Nosso time CCP,
Ganhou e fez fuzuê
Pela cidade depois.

Foi 72 o ano
Que aconteceu a final,
Mas ela foi referente
Ao torneio estadual
Que houve em 71,
Tenho a certeza incomum
De forma documental.

Salvino foi o goleiro
E na zaga, pra impedir
Os ataques foi Manel
Do Dnoc’s e Aldemir,
E pra fechar a janela
Butijinha com Varela
Jogavam sem se exibir.
  
Toinho de Sula era
Nosso lateral direito
De Assis era o esquerdo
Dando um balanço perfeito,
Pois ambos não se cansavam,
Defendiam e apoiavam
Correndo de todo jeito.

Chiquinho, ponteira esquerda
Na técnica perfeita
Dava show junto a Derval
Que era o ponteira direita
E pelo meio, sem perda,
Bobô era meia esquerda
Deixando a orquestra feita.

De todos os jogadores
Cada qual foi importante,
Mas os ponteiras e o meia
Tinham papel relevante
Pois detinham a função
De só meterem bolão
A Edílson, o centro-avante.

Os reservas começando
Pelo nome do goleiro,
Nós tínhamos pelo banco
O arqueiro José Monteiro
E Chico de Umarizal
Nunca que levava a mal
Ser reserva o tempo inteiro.

Dedé Bobó, Geraldinho,
Chico da Bomba e Bambão,
Também ficavam no banco
Junto a Cosmo, porém não
Viam a necessidade
De cheios de vaidade
Fazerem reclamação.

Jácio, vindo de Natal,
Do time foi treinador
Armando como um xadrez
Cada peça com primor,
Adquirindo o respeito
Tratando do mesmo jeito
Jogador por jogador.

Sobre a história do jogo,
Primeiro o bicho pegou,
Pois chutaram uma bola,
Nosso Salvino espalmou,
Mas chutaram novamente
E Manel, infelizmente,
Com a mão tirou o gol.

O pênalti foi marcado
Pelo juiz num impulso,
Porém Manoel do Dnoc’s
Mesmo com seu ato avulso
Não foi nem penalizado,
Porque isso, no passado,
Não fazia ser expulso.

O cabra só era expulso
Se fosse um grande alvoroço,
Numa falta violenta,
Na quebrada de um pescoço,
Numa voadora rara,
Num tabefe numa cara,
Numa torada de osso.

Mas voltando para o pênalti,
O cabra fez logo o gol,
Bateu fazendo um a zero,
Porém mal comemorou,
Mal se contentou por dentro,
Pois quando bateu o centro
O Centenário empatou.

O empate também foi num
Pênalti sem discutir
Que foi sofrido e batido
Pelo zagueiro Aldemir,
Mas o gol mais desejado,
O momento mais louvado
Estava logo por vir.

Porque com o jogo empatado,
A partida pegou fogo
E eu confesso sem mentir,
Sem querer ser demagogo,
Que sem precisar rodeio
Chiquinho, sem aperreio,
Num instante virou o jogo.

Com a partida em dois a um,
Já perto de seu final,
O Centenário ficou
De maneira imperial
Tocando a bola e pensando
Naquele momento quando
Vinha o apito triunfal.

Quando o juiz apitou
Foi enorme a emoção,
Em Natal mesmo ficaram
Para comemoração,
Pois Paulo Diógenes fez
Um banquete de uma vez
Para o time campeão.

Porém, antes de ir à festa
Feita pelo deputado
O time inteirinho foi
Andando, mesmo cansado,
Para uma igreja sem pressa
Pra pagar uma promessa
Pelo êxito alcançado.

No outro dia saíram
Num ônibus equipado
Em busca de Pau dos Ferros
Sem saber que o povo honrado
Esperava, na verdade,
Já na entrada da cidade
Na fazenda Boi Comprado.

Quando os campões chegaram
Foi um alvoroço incerto...
Desfilaram na cidade
Em festa num carro aberto
E quem diz sem temer sorte
Que aquela foi, do esporte,
A maior a festa, está certo.

Lá no centro da cidade
Tinha um palanque montado
Repleto de autoridades
E o time homenageado
Pela banda marcial
Ali naquele local
Por populares lotado.

Realmente foi um marco
Que ficou na nossa história
Não foi apenas um título
Não apenas uma glória
Foi lição de amor perfeito
Àquele escudo do peito
Dando mais brilho à vitória.

Por Manoel Cavalcante

Trecho do Livro "Pau dos Ferros à sombra da oiticica"